Reforma Tributária: o que muda para sua empresa?

O fim de tributos antigos e o nascimento de novos

A principal proposta da reforma tributária é simplificar o sistema atual, conhecido por ser complexo, custoso e cheio de exceções.

Hoje, as empresas precisam lidar com tributos diferentes sobre o consumo, que têm regras próprias, bases de cálculo distintas e competências de arrecadação divididas entre os três entes da federação (União, Estados e Municípios).

 

Tributos extintos

Com a reforma, haverá substituição de cinco tributos por dois principais. Atualmente, as empresas precisam lidar com:

  1. PIS (Programa de Integração Social): tributo federal que incide sobre o faturamento.
  2. Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social): também federal, com regras que variam entre cumulativas e não cumulativas.
  3. IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados): incide na indústria e na importação de bens industrializados.
  4. ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços): tributo estadual, cheio de particularidades e exceções.
  5. ISS (Imposto Sobre Serviços): de competência municipal, com alíquotas e regras diferentes em cada cidade.

A fragmentação entre esses tributos torna o sistema atual confuso, abre margem para erros, autuações e disputas judiciais, além de dificultar o aproveitamento de créditos e a precificação correta dos produtos e serviços.

 

Chegada do IVA Dual: CBS e IBS

O modelo adotado na reforma tributária segue o padrão internacional de IVA (Imposto sobre Valor Agregado), muito utilizado em países da Europa, Canadá e América Latina. No Brasil, será adotado o chamado IVA Dual, ou seja, com dois impostos distintos:

CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços

Será cobrada pela União, substituindo PIS, Cofins e IPI. Incidirá sobre todas as operações com bens e serviços. A alíquota ainda não está totalmente definida, mas estima-se algo entre 8% e 12%.

Terá apuração não cumulativa, ou seja, será possível descontar os créditos referentes a insumos e etapas anteriores da cadeia produtiva.

🎯 Impacto prático: para empresas que compram insumos e serviços com imposto embutido, será possível se creditar desses valores, reduzindo o montante a pagar. Isso beneficia especialmente empresas B2B, pois a cadeia tributária fica mais justa.

 IBS – Imposto sobre Bens e Serviços

Substitui o ICMS (estadual) e o ISS (municipal).

Será gerido por um Comitê Gestor Nacional, com representantes dos estados e municípios.

A arrecadação será feita de forma centralizada, e depois redistribuída para os entes federativos.

Estima-se uma alíquota entre 14% e 17%.

Também seguirá o modelo não cumulativo, com créditos garantidos em todas as etapas.

🎯 Destaque importante: a alíquota do IBS será a mesma em todo o território nacional, o que representa o fim da chamada “guerra fiscal” entre estados e cidades — uma prática comum hoje em que benefícios fiscais são concedidos de forma desigual, gerando distorções no mercado.

IS – Imposto Seletivo

O Imposto Seletivo é um tributo de caráter extrafiscal, ou seja, seu objetivo principal não é arrecadar, mas desestimular o consumo de determinados produtos. Ele incidirá sobre:

  1. Produtos nocivos à saúde (como cigarros e bebidas alcoólicas);
  2. Bens que impactam negativamente o meio ambiente (como combustíveis fósseis);
  3. Produtos considerados “supérfluos”, conforme regulamentação futura.
  4. O IS será cobrado de forma cumulativa, ou seja, sem possibilidade de compensação de créditos.


Importante: para a maioria das empresas de pequeno porte, o IS não será uma preocupação direta, a menos que atuem com produtos incluídos na lista do imposto seletivo. No entanto, ele pode impactar indiretamente os custos de insumos, logística ou embalagens, caso algum item utilizado seja afetado.

A substituição de cinco tributos por apenas dois (CBS e IBS), além do IS, representa uma das maiores transformações no sistema tributário brasileiro nas últimas décadas. A ideia central é simplificar, padronizar e tornar mais previsível a tributação sobre o consumo.

Para micro e pequenas empresas, isso pode significar:

📌 Menos tempo gasto com cálculos complexos e obrigações diferentes por município ou estado.

📌 Redução de riscos fiscais e autuações.

📌 Maior transparência na formação de preços.

📌 Necessidade de ajuste imediato dos sistemas de gestão e emissão fiscal, para garantir conformidade e aproveitamento de benefícios.

 

O cronograma da transição da Reforma Tributária

A implementação da Reforma Tributária será gradual para permitir adaptação por parte das empresas e das administrações públicas. Veja os principais marcos:

 Ano  Acontecimento
 2026  Início da cobrança teste da CBS (0,9%) e do IBS (0,1%), sem extinção de tributos atuais.
 2027  CBS entra em vigor com alíquota cheia. Fim do PIS, Cofins e IPI. IS começa a ser cobrado.
 2029 a 2032  Transição escalonada do ICMS e ISS para o IBS.
 2033  CBS e IBS substituem completamente os tributos antigos. Sistema 100% implementado.

 

O que muda para as pequenas empresas?

O Simples Nacional será mantido?

Sim, o regime do Simples Nacional será preservado. No entanto, ele passará por ajustes importantes, especialmente no que diz respeito à CBS e ao IBS.

O que é o modelo híbrido?

Com a reforma, o Simples poderá operar em dois formatos:

✅ Tradicional: tudo recolhido no DAS, como ocorre hoje.

✅ Híbrido: a empresa continua no Simples, mas paga CBS e IBS de forma separada, com destaque na nota fiscal.

Isso será vantajoso para quem vende para outras empresas e pode gerar créditos de imposto para seus clientes. Por outro lado, aumenta a complexidade de apuração.

 

Vantagens e desafios do novo sistema

Vantagens para o governo

💡 Simplificação: menos obrigações acessórias e tributos mais fáceis de entender.

💡 Crédito amplo: empresas poderão descontar o valor pago nas etapas anteriores da cadeia, favorecendo a competitividade.

💡 Transparência: alíquota única por fora, facilitando o entendimento do peso dos tributos nos preços.

Desafios para as empresas

🎯  Necessidade de Sistema de Gestão Empresarial atualizado: será preciso emitir notas com os novos tributos e ter relatórios fiscais detalhados.

🎯  Capacitação do time contábil e fiscal: as mudanças exigem atualização técnica.

🎯  Planejamento tributário mais complexo: será necessário simular cenários e comparar regimes (Simples, Lucro Presumido, Real).

 

Como será a cobrança desses impostos?

Apuração e recolhimento

A CBS e o IBS seguirão a lógica do IVA: incidem sobre o valor agregado e permitem o crédito financeiro sobre aquisições realizadas com incidência de imposto.
A apuração será mensal, feita de forma centralizada, e a compensação de créditos será imediata.

Split Payment (pagamento dividido)

O modelo prevê o chamado Split Payment, em que parte do imposto é recolhido diretamente no momento do pagamento. Isso reduz a inadimplência e garante a arrecadação ao fisco.

 

Impacto por tipo de empresa

Empresas B2B

Tendem a se beneficiar mais com a Reforma Tributária, pois poderão utilizar créditos de CBS e IBS sobre suas compras, reduzindo a carga tributária efetiva. Também ganham mais previsibilidade e simplicidade na apuração.

Empresas prestadoras de serviço

Podem sofrer aumento de carga, especialmente se hoje pagam ISS em alíquota reduzida. Com a unificação via IBS, a alíquota tende a ser maior.

Empresas do Simples com clientes PJ

Deverão considerar migrar para o modelo híbrido, destacando CBS e IBS na nota, para que seus clientes possam se creditar. Isso pode ser um diferencial competitivo.

 

O papel dos sistemas de gestão 

A tecnologia será aliada essencial no cumprimento das novas exigências. Sistemas como o Eagle Gestão precisarão:

🟢 Suportar o destaque de CBS e IBS nas notas fiscais.

🟢 Adaptar relatórios de apuração e conciliação.

🟢 Emitir arquivos digitais compatíveis com as novas obrigações acessórias.

🟢 Permitir o controle detalhado de créditos fiscais.

🟢 Gerenciar regimes híbridos (Simples + CBS/IBS).

 

A reforma tributária e os revendedores de software

Empresas revendedoras de software, como os parceiros da Eagle Tecnologia, terão papel fundamental nesse momento:

  1.  Orientar os clientes sobre a necessidade de atualização.
  2. Oferecer serviços de implantação fiscal com foco nos novos tributos.
  3. Educar o mercado com conteúdos, vídeos, eventos e materiais explicativos.
  4. Atuar como ponte entre cliente final e contador, promovendo maior integração.
  5. É uma oportunidade de diferenciação no mercado, agregando valor ao serviço de suporte e consultoria.

Conheça a Proposta de Parceria de Revenda da Eagle Tecnologia.

📲 Falar no WhatsApp

 

O que sua empresa deve fazer agora?

Faça um diagnóstico fiscal

Simule o impacto da reforma na sua empresa, considerando faturamento, margens e clientes. Com isso, avalie se o modelo tradicional do Simples ainda é vantajoso ou se vale adotar o regime híbrido ou migrar de regime.

Esteja em contato com o contador

Mantenha diálogo constante com o contador responsável pela sua empresa. Ele será peça-chave para orientar a escolha do melhor regime tributário e assegurar o cumprimento das novas exigências.

Invista em um Sistema de Gestão Empresarial 

Tenha um sistema que já esteja preparado para a reforma tributária. Isso inclui suporte para CBS, IBS, regras de apuração e geração de obrigações acessórias.Treine sua equipe

Prepare os setores fiscal, contábil e financeiro para as novas regras. Entenda as mudanças no momento da venda, no faturamento e na escrituração.

 

Agende uma Demonstração Gratuita para conhecer a nossa solução fiscal:
📲  Falar no WhatsApp

 

A reforma tributária será um divisor de águas

A reforma tributária traz mais simplicidade, transparência e modernização ao sistema brasileiro. Para as empresas, o impacto dependerá da sua estrutura, segmento e regime tributário.


As empresas que se anteciparem, fizerem um bom planejamento e contarem com sistemas atualizados terão maior competitividade, menos riscos e poderão inclusive reduzir a carga tributária efetiva.


A Eagle está acompanhando de perto todas as mudanças e preparando seu sistema de gestão para atender as novas exigências.

 

E você? Já está preparado para essa transição no seu negócio?